Constelação Familiar - O que é e como pode nos ajudar

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A Constelação Familiar é uma técnica terapêutica que nos permite identificar qual é a causa, a origem de um determinado problema e qual é a solução para que aquela situação seja resolvida. Essa solução nos mostra de uma forma bem clara o que é preciso fazer, pensar e sentir de diferente a partir daquele momento para que aquele problema seja resolvido e assim o fluir feliz, próspero e saudável seja restabelecido em nossa vida.

A Constelação Familiar também nos mostra o quanto estamos conectados, mesmo que de forma inconsciente, com as histórias da nossa família (principalmente pai e mãe) e dos nossos ancestrais, e o quanto o que aconteceu com eles pode influenciar diretamente a nossa vida.

E nada disso tem relação com culpados, algozes e vítimas, e sim com aquilo que nós mesmos fazemos inconscientemente para nos mantermos muitas vezes leais e pertencentes a nossa família.

Isso acontece porque quando nascemos em uma família não herdamos dela apenas algumas características físicas e particularidades emocionais, mas também muitas informações referentes as situações vividas, pensadas e sentidas por eles, como por exemplo, suas crenças limitantes, seus traumas, doenças (físicas, emocionais e mentais), os segredos de família, os fracassos, os insucessos profissionais, os acontecimentos trágicos e marcantes, as dificuldades para seguir na vida, as inseguranças e medos.

E podemos adquirir tudo isso e muito mais mesmo que estes ancestrais já sejam falecidos ou até mesmo que não tenhamos conhecido ou convivido com eles. Isso acontece porque existe uma espécie de "Memória Familiar Inconsciente" que também é conhecido como "Consciência do Clã". 

Para exemplificar e facilitar o entendimento, é como se existisse um "local" onde são armazenadas todas as informações e histórias dos nossos familiares e ancestrais. Histórias e informações que influenciam não somente eles, mas também todos os demais descendentes desta família até que alguém olhe e resolva.

​Bert Hellinger, que foi um dos grandes estudiosos e responsáveis por disseminar esse conhecimento no mundo, observou que essa memória familiar inconsciente é dirigida por 3 leis naturais, as quais ele chamou de "Ordens do amor", que é a Lei do Pertencimento, a Lei da Ordem e a Lei do equilíbrio (explicadas abaixo).

O que se observou é que elas tem o  poder de influenciar tanto a vida de um indivíduo quanto a vida dos seus descendentes. 

Quando estas leis não são seguidas de forma natural, vários problemas, desequilíbrios, emaranhamentos no sistema familiar, problemas afetivos, fobias, doenças, tendências suicidas, dificuldades financeiras, fracassos, vícios, cargas emocionais que nem sempre sabemos ou compreendemos a sua origem ou motivo e tantos outros problemas nos mais diversos setores da vida começam a acontecer.

Cada um faz a sua parte. A ferramenta faz a parte dela principalmente te mostrando o que cabe a você ressignificar a partir daquele momento através de novas  atitudes, de uma nova forma de pensar e sentir sobre si mesmo e sobre a vida.
 

Conheça agora como atua cada uma das 3 leis citadas anteriormente.


LEI DO PERTENCIMENTO

Todos os membros de um sistema familiar tem o direito de fazer parte, de pertencer a este sistema, e ninguém pode ser excluído independentemente do motivo. Isso inclui os que morreram precocemente, os natimortos, os "maus", os filhos abortados e outros para quem a família não quer olhar (é muito comum, por exemplo, que pessoas sejam esquecidas porque lembrar delas traz sofrimento), mas enquanto não são lembradas, reconhecidas e incluídas como pertencentes, os membros do sistema, da geração atual e as próximas gerações não podem e não conseguem ter paz. 

É negado a um membro o direito de pertencer sempre que o mesmo é esquecido, julgado ou excluído, e isso gera uma necessidade irresistível do próprio sistema de reparar, de restabelecer a integridade perdida e compensar a injustiça cometida. Normalmente, isso é visto nas gerações futuras onde os mesmos passam a representar ou imitar o membro excluído, claro que em um nível inconsciente. Com isso, é bem provável que terá o mesmo destino do seu antepassado ao invés de viver o seu próprio destino.

 

Exemplos comuns de situações revividas ao longo de várias gerações: nenhuma mulher é feliz no amor ou todas se separam, muitos membros desta família ficam doentes ou já nascem com doenças graves, não conseguem se realizar profissionalmente, não se sentem em paz, histórico de abortos, de fracassos, de escassez, de miséria  e etc.

 

Isso ocorre porque existe uma certa fidelidade da nossa alma ao sistema.

 

Exemplo: se muitas mulheres sofreram no passado daquela família e não foram felizes no amor com relacionamentos saudáveis e duradouros, é como se para se sentir pertencente a família, esse novo membro da geração futura precisasse também sofrer, precisasse não conseguir também criar vínculos saudáveis e viver relacionamentos amorosos felizes e prósperos (em lealdade ao seu sistema).

 

É como se para lembrar/incluir aquela pessoa que foi excluída, alguém precisasse reviver a sua dor. Um outro exemplo é com relação as mortes trágicas e prematuras que costumam gerar culpas dentro do sistema. Essa culpa gerada inconscientemente, é como se no fundo você dissesse: Se o meu antepassado não pode viver, como eu posso viver e ainda ser feliz, ser próspero, ser saudável? Como eu posso dizer SIM a vida, se ele não pode fazer isso?! Com isso, ficam conectados e seguem esses antepassados na morte, e como consequência, muitas vezes se tornam pessoas muito doentes, fracassadas profissionalmente, infelizes, frágeis, emocionalmente fracas, sem perspectiva de futuro e sem conseguir se conectar com tudo que de certa forma nos conecta a Vida, a abundância! essa dinâmica é muito comum em filhos que sucedem um aborto não incluído pela família, aqueles filhos que de certa forma ocupam o lugar que não são deles.

"Pertencer a nossa família é nossa necessidade básica. Esse vínculo é o nosso desejo mais profundo. A necessidade de pertencer a ela vai além até mesmo da nossa necessidade de sobreviver. Isso significa que estamos dispostos a sacrificar e entregar nossa vida pela necessidade de pertencer a ela". Bert Hellinger - A cura - pg 17.

A solução? Reincluir estes antepassados, porque todos eles pertencem, fazem parte da família e possuem o seu lugar. É necessário olhar para eles com gratidão e respeito, assim como é importante honrarmos seus destinos assim como foi, sem nenhuma intenção diferente, apenas concordando com tudo, exatamente assim como aconteceu. Com isso a ordem é restabelecida e ninguém mais precisa representar aquele que foi excluído. Desta forma, todos ficam fortes, em paz e podem seguir seus próprios destinos dizendo SIM  a vida. Os mortos finalmente conseguem ficar em paz, o sistema fica em paz e todos se tornam mais saudável em todos os aspectos.

 


LEI DA ORDEM
 

Além de pertencer, cada indivíduo ocupa uma posição dentro do sistema familiar. Isso quer dizer que dentro da lei da hierarquia é fundamental e necessário que se respeite aqueles que vieram primeiro, ou seja, os filhos devem respeitar seus pais e estes por sua vez precisam respeitar aqueles que vieram antes deles, seus antepassados.

"O ser é estruturado pelo tempo. O ser é definido pelo tempo e através dele recebe seu posicionamento. Quem entrou primeiro em um sistema tem precedência sobre quem entrou depois. sempre que acontece um desenvolvimento trágico em uma família, uma pessoa violou a hierarquia do tempo." Bert  Hellinger, Ordens do amor, pag 37.

O desequilíbrio nesta lei ocorre quando os papéis se invertem, ou seja, quando os filhos, por exemplo, ocupam dentro da família uma posição que deveria ser dos pais. Quando os filhos passam a tomar decisões, quando se tornam grandes demais perante os pais, quando ditam as regras dentro de casa, quando ocupam um lugar de cuidadores dos pais, quando se sentem ou se tornam responsáveis pelos pais, quando intrometem e interferem na vida dos pais, quando toma as dores de um ou de outro devido a algo que ocorreu no casamento deles, que diz respeito a relação homem e mulher, enfim, estas e outras muitas situações são exemplos de que esta lei foi violada e isso pode resultar em muitos e muitos problemas, não apenas com relação aos pais que vão se tornando cada vez mais infantilizados, mas os próprios filhos que desencadeiam diversos problemas, como por exemplo, ficam muito nervosos, ansiosos, se tornam emocionalmente frágeis, possuem dificuldade de "desgrudar" do papai e da mamãe, não tem força pra ir pra vida, para a sua vida, para seguir o seu caminho, para viver o seu próprio destino, não conseguem ser prósperos, não conseguem ganhar dinheiro, não conseguem criar vínculos saudáveis em relacionamentos amorosos e etc. Tudo isso e muito mais porque são obrigados a suportar uma carga emocional que em tese não é sua e não deveria carregar.  

Quando um filho (criança ou adulto) assume a dor de seus pais, ele se torna maior do que eles, ocupando assim um lugar em um nível hierárquico do sistema que não pertence a ele. 

Trata-se portanto de uma hierarquia cronológica, na qual quem veio antes precisa ser reconhecido como tal. Sem esse reconhecimento e respeito, o sistema entra em desequilíbrio e passa a ter uma necessidade de reparação. Essa reparação, ou seja, esse reequilíbrio, se não for realizado por um membro desta geração, ela fica a cargo de um outro membro das próximas gerações. 

É essencial para um bom funcionamento do sistema que a ordem seja respeitada, porque quem vem depois (como as crianças, por exemplo) não é capaz de suportar o peso e a responsabilidade de quem veio antes.

Quando esse equilíbrio, essa ordem não é reestabelecida em  uma geração, então ela fica a cargo de um outro membro das próximas gerações.

O que Hellinger ressalta nesta lei é a importância de mantermos o respeito àqueles que vieram antes de nós, honrando-os e aceitando a hierarquia de nossos antepassados, para que assim o equilíbrio desta ordem seja plenamente mantida.

 


LEI DO EQUILÍBRIO
           

Esta ordem diz respeito a necessidade do equilíbrio entre o dar e o receber ou tomar, que deve existir em todas as relações de maneira  igualitárias para que as relações se mantenham permanentemente equilibradas. Funciona da seguinte maneira: um dá, o outro recebe e de preferencia toma, porque tomar é mais ativo do que receber. Então, quem recebe fica grato e de certa forma em dívida. Portanto, dá de volta. Idealmente, dá um pouco mais e assim quem recebe dessa vez, fica com a dívida e irá retribuir. Isso gera um vínculo crescente no qual o amor pode crescer. Isso é vital para que um relacionamento amoroso, por exemplo, possa se tornar um compromisso e garantir que o amor permaneça na relação, lembrando que tudo que acontece dentro de um relacionamento de casal é de responsabilidade de ambos, sendo 50% para cada.

"O que dá e o que recebe conhecem a paz se o dar e o receber forem equivalentes. Nós nos sentimos credores quando damos algo a alguém e devedores quando recebemos. O equilíbrio entre crédito e débito é fundamental nos relacionamentos." Hellinger, A simetria oculta do amor.

Há uma exceção a esse equilíbrio, que é o caso da relação entre pais e filhos. Os pais são doadores e os filhos receptores. Ou seja, pais dão, filhos tomam. Os filhos retribuem o que receberam crescendo na vida, fazendo algo bom de suas vidas e até mesmo no futuro dando a seus filhos. Só poderá dar e receber de forma equilibrada na vida quem pôde receber e soube tomar o que os pais deram. E de tudo que os pais dão, o mais importante todos nós recebemos: a vida. Isso, por si só já é ou deveria ser motivo de gratidão e respeito.

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